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A jovem que não sabia escrever

A jovem que não sabia escrever

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Início. 

Era uma vez uma menina que sempre gostou de escrever. Ela tinha vontade, sentia dentro de si que aquilo a levaria a algum lugar. Mas era cedo demais para saber que lugar era esse, ela era apenas uma criança, então continuou escrevendo. Uma certa feita, quando ainda estava no colegial, chamou a atenção de uma professora pelo fato de perguntar à ela, se tal palavra que havia escrito estava ou não de forma correta. Apesar da ingenuidade, da inocência de uma adolescente, a menina percebeu que aquela professora achou interessante o modo como ela perguntou, sabia que seus colegas pouco se importavam em saber se escreviam certo ou não.

Anos se passaram e essa garota, após ter adquirido a maior idade mudou de cidade, onde ela morava era uma cidade pequena, não dava para ela e sua família continuar ali. Após anos nessa cidade, sem na verdade saber o que realmente fazer ela resolve ingressar na faculdade. Apenas não imaginava que seria tão difícil assim conseguir isso. O vestibular passou, deu para passar tranquilamente, quer dizer, não tranquilamente assim, o que a salvou na verdade foi a prova de redação. Na verdade a jovem não soube a nota que tirara na prova de processo seletivo. A emoção dela em ter passado era tão grande que ela até esqueceu de conferir. Mas sabia que fora bem na redação, por isso conseguira ser aprovada.

 

O peso da faculdade

Ao entrar na sala de faculdade, a jovem ficou um pouco assustada. O curso era jornalismo, ela escolhera certo, sabia desde criança que era isso que queria para si, mas ela teve medo quando precisou escrever a matéria jornalística. Era uma academia mas a matéria precisava ser verdadeira então ela se lembrou que era tímida, tímida demais. Resultado: não foi bem na missão, reprovou de primeira por não ter escrito uma matéria que prestasse.

Então bateu o desespero: a dúvida começou a bater: "será isso mesmo o caminho certo, devo continuar no curso?" Aquela dúvida perseguiu por todo o curso, algumas vezes era mais branda, outras parecia que iria saltar pela boca. Até que a jovem conseguiu, apesar das dificuldades, chegar ao último ano de jornalismo.

Ela precisava fazer um tal de artigo, uma espécie de primeira parte da monografia. Para a sua sorte, um astro da música havia falecido um ano antes, o que deu à ela uma certa inspiração. A jovem já estava sem estímulo, pensava que não alcançaria nem mesmo a média, que era 7,5.

A vantagem da jovem é que ela ainda tinha dentro de si, um pouquinho daquela forma que ela acreditava ser correta de escrever, e não foi que alguns professores achaam também, que a tal joevem tinha talento? Então o artigo foi escrito, a apresentação à banca foi a melhor que ela já havia feito em toda a sua vida. A nota? 9.8. Ela nem acreditou, pensou que havia sido erro da coordenação, afinal de contas, erros acontecem em todo lugar. Mas era verdade, juntamente com uma promotora, que porventura estudava com ela tirou a maior nota da sala. Houve quem dissesse que ela havia feito ali, a maior parte de sua monografia que estava prestes a ser escrita.

 

 

 

 

A decepção

Depois dessa, apesar dos elogios, a jovem não estava convencida de que escrevia bem, poderia ter sido um surto, um mal súbito.

E foi mesmo. Chegada a monografia, a cada orientação, a jovem, que já não estava tão jovem assim, começou a mostrar que o fato de escrever bem havia ficado para trás. Ficou impresso em umas 20 páginas de A4 mais ou menos. Ela passava a noite toda escrevendo, não tinha computador, então escrevia primeiro em um caderninho e depois digitava para salvar, coisa de maluco!

Estava esquecendo de algo importante: a jovem, antes de apresentar o artigo, passou a tomar remédios, mas não eram remédios comuns, eram tarja preta. É que ela entrou em uma depressão profunda e com razão, pensava que o último de ano de faculdade seria uma catástrofe e quase acertou em cheio. Tirando a história do artigo, o ano decisivo na academia foi sim um fiasco. A cada dia que passava, a jovem percebia que não não levava jeito para escrever, que havia de aprender muito,  problema é que não havia mais tempo, faltava pouco para o final do curso.

Eis que chega o dia da banca: a monografia da jovem tinha nome estranho; todos da banca a olhavam com uma vontade imensa de verem ali, a moça que estava no dia do artigo, mas quem estava lá parecia outra, na verdade não era mesmo a mesma acadêmica. Ela cometeu erros gravíssimos, resultado das noites sem dormir e da falta de checagem de informação, algo inadimissível para uma jornalista.

 

 

 

Desilusão

A média não foi legal, o 9.2 parecia muito artificial, como se fosse uma recompensa do esforço dela, de sua força de vontade. A jovem saiu dali, após ser aprovada e tudo, cabisbaixa e sem chão. Ali, para ela, seria a oportunidade de provar a todos que a assistiam, mais do que para ela mesmo, mas não conseguira. Com os dois exemplares da monografia impressa debaixo do braço, a única felicidade dela naquela hora é que poderia enfim falar para seus pais que já não precisavam se preocuparem de levá-la e buscá- la da faculdade, já havia concluído o curso.

A jovem tornou- se jornalista sem acreditar em si mesmo. Já não confiava no que escrevia e não gostava de ler o que produzia. Tomou medo de escrever e descobriu que não sabia fazer isso. Conseguiu emprego sim, alguns nem acreditaram, foi em um jornal legal, o mais lido jornal impresso da região sul do Estado de onde morava. Mas nunca foi a mesma pessoa, aquela que gostava de escrever estava aprendendo outra vez. Alguns tinham a paciência de a ensinarem na elaboração de seus textos, outros, inclusive ela, nem tinham coragem de lê- los.

                                                                                                                        Texto: Joyciane Xavier

Imagens: Divulgação